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Cistite Intersticial / Síndrome da Bexiga Dolorosa

Cistite Intersticial (CI) / Síndrome da Bexiga Dolorosa (SBD)
Conheça e entenda um pouco sobre o assunto através das principais dúvidas encaminhadas pelos pacientes

 

  1. Como é caracterizada a Cistite Intersticial / Síndrome da Bexiga Dolorosa e quais seus principais sintomas? 
    Atualmente utilizadas como sinônimos, a Síndrome da Bexiga Dolorosa/ Cistite Intersticial é um diagnóstico clínico com base em sintomas de urgência/frequência miccional e dor com origem vesical e/ou pélvica.
  2. O que diferencia a Síndrome da Bexiga Dolorosa/Cistite Intersticial da Cistite Bacteriana? 
    Esse é o principal ponto de equívoco, tanto no diagnóstico como no tratamento. A cistite bacteriana, também denominada de infecção urinária, caracteriza-se pela confirmação com exame de urocultura da proliferação de colônias de bactéria na urina, que a princípio deve ser estéril. Já na Cistite Intersticial não há, necessariamente, a presença de proliferação bacteriana.
  3. As duas podem ocorrer simultaneamente? 
    A infecção urinária pode existir concomitantemente à Cistite Intersticial e esse é o motivo de, em alguns casos, os antibióticos controlarem apenas parcialmente os sintomas. A urocultura é exame essencial para definir o diagnóstico de infecção urinária e instituir o tratamento com antibiótico.
  4. Quem está mais propenso a ter o problema, homens ou mulheres? 
    Tanto homens como mulheres estão sujeitos. Estima-se que a proporção de acometimento seja de 1 homem para cada 5 mulheres.
  5. Qual a etiologia (origem) do problema? Há alguma relação genética? 
    A etiologia da Cistite Intersticial ainda não está bem definida. A dificuldade na determinação etiológica leva a dificuldade no diagnóstico e consequentemente nas estatísticas relacionadas ao problema. Encontra-se em pesquisa as seguintes hipóteses etiológicas: infecção, processos autoimunes / inflamatórios sistêmicos, envolvimento de mastócitos. Já foi demonstrada relação com doenças como: síndrome do intestino irritável, fibromialgia, lúpus, doença inflamatória intestinal, dentre outras. 
    Até o presente momento não se evidenciou o caráter de transmissão genética.
  6. Há como evitar a síndrome? Quais cuidados são necessários para não ter o problema? Existe alguma relação com alimentação e/ou hábito de higiene para adquirir/evitar o problema? 
    A etiologia ainda não está bem definida e não há meios comprovados de evitá-la. Restrições alimentares não encontram suporte adequado na literatura, mas muitos pacientes relatam alívio evitando alimentos que contenham álcool, cafeína e bebidas cítricas.
  7. Como é feito o diagnóstico da Cistite Intersticial / Síndrome da Bexiga Dolorosa? 

    Em primeiro lugar: o diagnóstico não é simples. Geralmente é um diagnóstico de exclusão.

    • Deve haver sintomatologia clínica: urgência/frequência miccional acompanhada de dor na região urogenital (vulvodinia, orquialgia, dor peniana, dor perineal, dor retal). A presença de úlceras de Hunner e glomerulações à cistoscopia são as características principais da síndrome, no entanto não são encontradas em uma minoria dos pacientes.
    • Devem ser excluídas outras doenças que podem reproduzir os mesmos sintomas. Dessa forma, podemos encarar como um diagnóstico de exclusão. Dentre as doenças a serem excluídas, as principais são: - litíase urinária, infecção urinária, cistite induzida por radioterapia, hiperatividade detrusora, herpes genital, câncer (uterino, vaginal, uretral), tumores benignos, vaginite, prostatite.
    • Já existem questionários validados para a língua portuguesa que atuam como mais um subsídio para o diagnóstico da síndrome.
  8. Quais tratamentos são mais usados para este tipo de cistite? 
    Dentre os tratamentos mais utilizados estão:
    • via oral (antidepressivos tricíclicos, derivados do ácido hialurônico, analgésicos vesicais)
    • neuromodulação vesical: tratamento através de estímulos elétricos sequencias.
    • hidrodistensão vesical: infusão de líquido na bexiga promovendo estiramento das fibras da musculatura detrusora.
    • terapias de instilação intravesical, lidocaína e DMSO (dimetil sulfóxido). O DMSO apresenta características farmacológicas que incluem elevada permeabilidade de membranas, alta absorção, ação anti-inflamatória e analgésica. Utilizado desde a década de 60, ainda sobrevive devido à ausência de opções realmente eficazes.
    • Fisioterapia: atualmente vem ganhando destaque no tratamento, com resultados mais duradouros quando realizados por profissionais com subespecialização na área.
  9. Há possibilidade de cura? 
    Em geral o problema não apresenta cura, mas sim controle dos sintomas. Esse controle inclui diminuição da sintomatologia, bem como diminuição da frequência dos episódios de crise álgica. O tratamento objetiva melhora da qualidade de vida, que em geral é muito prejudicada nesse distúrbio.
  10. Mensagem final 
    Na prática clínica a principal crítica é não fazer o diagnóstico adequado. Costuma-se confundir Cistite Intersticial com outros diagnósticos, principalmente com infecção bacteriana. Isso leva muitos médicos à prescrição indiscriminada de antibióticos, pacientes sem o diagnóstico apropriado e sem alívio para seu sofrimento. Outra consequência grave é o desenvolvimento de infecções bacterianas altamente resistentes, devido ao uso exagerado de antibióticos de forma inadequada.

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