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Incontinência urinária feminina

Aprenda um pouco sobre o assunto numa linguagem clara, com base em evidências científicas

A incontinência urinária repercute amplamente no viver feminino. Esta é uma ótima forma de encarar o problema, visto a preocupação crescente nos dias atuais com a qualidade de vida. Estas repercussões podem acarretar embaraços no desempenho no trabalho, atividades domésticas, relações afetivas e sexuais.1
Mesmo sendo um problema muito comum, bem definido e com tratamentos efetivos, muitas mulheres convivem com ele e deixam de procurar o urologista para resolvê-lo por desconhecer muitos dos fatores envolvidos nessa questão. Procuramos com esse artigo, direcionado ao paciente, esclarecer alguns pontos.

1) Quais os tipos mais comuns de incontinência urinária feminina?

  • Incontinência urinária de esforço: perdas que ocorrem aos esforços (tosse, espirro, pegar peso).
  • Urge-incontinência: perdas ocorrem independente de esforços e são precedidas de uma vontade incontrolável de urinar.
  • Incontinência urinária mista: trata-se de um somatório das duas anteriores.

2) Qual o melhor método para se definir qual o tipo de incontinência urinária ?
A ferramenta inicial é uma boa anamnese (detalhamento da história clínica e dos sintomas do paciente). Nos casos de dúvida, faz-se necessário a realização do estudo urodinâmico. Através da infusão de líquido na bexiga e medidas pressóricas, o método permite dar o diagnóstico com altas taxas de especificidade.

3) Como é feito o tratamento da incontinência urinária?
A incontinência urinária de esforço pode ser tratada cirurgicamente ou com exercícios de reabilitação do assoalho pélvico (fisioterapia).
Na urge-incontinência as perdas ocorrem devido ao componente vesical (bexiga). O escape de urina geralmente acontece devido contrações involuntárias da musculatura vesical (detrusor). O tratamento normalmente é realizado com medicações ou fisioterapia.
Quando esses dois componentes encontram-se associados, temos a incontinência urinária mista. O tratamento irá requerer, na maioria das vezes, tratamento cirúrgico associado a medicações para controle das contrações involuntárias do músculo detrusor.

Incontinência de esforço

Urge-incontinência

4) Incontinência urinária de esforço - tratamento cirúrgico com Sling
Em 1995, Umlsten fez uma descrição inicial de implantes de faixas suburetrais livre de tensão, por via vaginal. A partir de então foram desenvolvidas inúmeros modelos de faixas sintéticas, conhecidas como Slings sintéticos. Através da passagem de agulhas através da musculatura perineal realiza-se o implante do silng, por via vaginal. Após passar pelo crivo do tempo, a colocação de slings sintéticos de uretra média consagrou-se como padrão ouro para o tratamento cirúrgico da incontinência urinária de esforço nas mulheres. Isso ocorreu não só pela praticidade para o paciente e cirurgião, bem como pelas altas taxas de sucesso e baixa morbidade relacionadas. 2,3

Modelo de sling

5) Quais os principais riscos relacionados à cirurgia de sling ?
As principais complicações relacionadas à cirurgia de sling constam em termo de consentimento padronizado pela sociedade Brasileira de Urologia e são: - retenção urinária; perfuração vesical ou uretral ou intestinal; formação de hematoma, infecção de ferida operatória e necessidade de transfusão sanguinea. São eventos que ocorrem com baixa freqüência, mas devem sempre ser expostos à paciente.

Mensagem Final
A incontinância urinária é muito prevalente. Muitas mulheres deixam de procurar solução por desconhecer o tratamento. A qualidade de vida apresenta grande melhora e as porcentagens de complicações relacionadas à terapêutica são relativamente baixas. Procure seu urologista, viva mais e melhor!

Referências

  1. Volkmer C,Monticelli M, Reibnitz KS, Brüggemann OM, Sperandio FF. Female urinary incontinence: a systematic review of qualitative studies. Cien Saude Colet, 2012; 2012; 17(10): 2703-15
  2. Ogah J, Cody DJ, Rogerson L. Minimally invasive synthetic suburethral sling operations for stress urinary incontinence in women: a short version Cochrane review. Neurourol Urodyn. 2011; 30: 284-291.
  3. Daneshgari F, Kong W, Swartz M. COmplications of mid urethral slings: important outcomes for future clinical trials. J Urol. 2008; 180:1890-1997.

 

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