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O homem e os sintomas urinários

Para motivar a prevenção é necessário ensinar porque prevenir.

No dia-a-dia urológico, frequentemente nos deparamos com pacientes apresentando sintomas decorrentes do aumento do volume prostático. Esses sintomas, antigamente denominados de “prostatismo”, receberam, já há algum tempo, nova terminologia. São os sintomas do trato urinário inferior, LUTS (do inglês, Low Urinary Tract Symptoms). O propósito desta mudança é facilmente entendível, já que quando falamos em LUTS precisamos ter em mente a equação LUTS = MULTIFATORIAL. Multifatorial, pois a sede dos problemas pode estar situada tanto na próstata, na bexiga ou em ambas, pode ser decorrente de processo infeccioso, neurológico, anatômico, dentre outros.

As principais queixas miccionais relacionadas ao LUTS são: urgência (necessidade urgente de urinar), freqüência aumentada (dificuldade constante em aguardar 2 horas entre as micções), intermitência (“jato cortado”), hesitação (dificuldade para iniciar a micção), baixo fluxo (“jato urinário fraco”), sensação de esvaziamento vesical incompleto e noctúria (ter que levantar à noite para urinar). A maioria dos homens procura o urologista apenas quando estes sintomas são intensos, como por exemplo, em um episódio de retenção urinária ou quando estão extremamente incomodados. Isto porque a instalação do quadro é lenta e o trato urinário inferior consegue se adaptar. Aí mora o perigo. Essa “adaptação” ocorre muitas vezes às custas de perda da função de armazenamento e esvaziamento desempenhada pela bexiga e em certos casos levando inclusive a comprometimento da função renal.

Um questionamento usual: dificuldade para urinar tem haver com câncer de próstata? A resposta é: NEM SEMPRE. Aumento benigno da próstata é DIFERENTE de câncer de próstata. Os dois podem existir associados ou separadamente. O aumento benigno prostático é um processo natural, que ocorre em quase todos os homens, e que pode levar a sintomas em uma parcela significativa deles. O tratamento é feito com medicações e em casos que não respondem, com cirurgia. Diferentemente, o câncer de próstata, que pode vir ou não acompanhado de sintomas (na maioria das vezes é assintomático), é um processo MALIGNO, que se não tratado pode levar à morte do indivíduo.

Como é feita a diferenciação entre o processo maligno (câncer de próstata) e o benigno (aumento benigno prostático)? Através da ROTINA DE PRÓSTATA. Ela é realizada com a dosagem do PSA (antígeno específico da próstata) e o toque retal. Deve ser feita anualmente com o urologista em todos os homens a partir dos 45 anos de idade e naqueles que tem antecedente de câncer de próstata na família a partir dos 40. “Mas esse toque retal, doutor, preciso mesmo fazer?” A resposta é: SIM, pois pode haver câncer sem alteração significativa do PSA e isto é comprovado rotineiramente nas consultas e biópsias prostáticas realizadas aqui no AME Limeira. Tendo essas informações em mãos fica mais claro entender e aceitar a mensagem: visite seu urologista anualmente mesmo sem sintomas, não deixe seus sintomas urinários se tornarem intensos e antecipe essa visita quando necessário.

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